segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Filhos “bonzinhos”

“Filha, quando você faz essas coisas eu não gosto mais de você”, dizia uma mãe em tom de repreensão à filha que acabava de fazer uma travessura. Na mesma linha, mas em outro sentido, ouvi certa vez o elogio de um pai: “Filho, eu gosto muito de você, pois é estudioso, obediente e carinhoso comigo e com sua mãe”. Agindo com o afã de fazer com que nossos filhos se comportem bem, por vezes corremos o risco de lhes transmitir a mensagem de que o nosso amor por eles é uma espécie de recompensa por se comportarem de acordo com as nossas expectativas.
No romance Vá aonde o teu coração mandar, de Susanna Tamaro, a personagem relata o relacionamento desastroso com sua mãe, que merece ser meditado:
“Eu era muito diferente dela e já ao sete anos comecei a não a suportar. Sofri muito por sua causa. Ela andava agitada o tempo todo, e sempre era unicamente por motivos externos. A sua presumível perfeição fazia-me sentir que eu era má e que a solidão era o preço da minha maldade. A princípio, cheguei até a fazer tentativas de ser como ela, mas eram tentativas desajeitadas que sempre fracassavam. Quanto mais me esforçava, mais me despedaçava. Renunciar a si mesmo leva ao desprezo. Do desprezo à raiva, o passo é curto. Quando compreendi que o amor da minha mãe era um assunto que se prendia com a mera aparência, com o que eu devia ser e não com o que eu era, no segredo do meu quarto e no coração comecei a odiá-la”.
É impressionante notar como muitos pais e mães buscam moldar os filhos aos seus próprios gostos. No entanto, se amamos os nossos filhos de verdade, uma das melhores ajudas que podemos prestar-lhes e ensiná-los a serem eles mesmos. Cada ser humano é único e irrepetível e um dos maiores dons que receberam é a liberdade.
É evidente que os nossos filhos, como também nós, temos muitos defeitos e limitações. E a vida é uma oportunidade para vencer esses defeitos e também superar, na medida do possível, os próprios limites. Cada minuto de nossas vidas nos traz oportunidades de adquirirmos virtudes, que por sua vez nos faz pessoas melhores, mais realizadas e felizes. Assim, os pais podem e devem ajudar os filhos nessa caminhada, educando-os e orientando-os nessa luta cotidiana. Contudo, devemos agir com retidão de intenção, ou seja, buscando apenas o bem dos filhos, e não para que possamos nos orgulhar deles diante dos amigos, familiares ou quem quer que seja.
Certa vez participei de uma palestra de um renomado educador ministrada para pais e professores. Nela se falou da importância de os pais conhecerem a fundo o caráter dos filhos para poder ajudá-los, falou-se também da idade certa para se trabalhar cada virtude etc. E depois de deixar todos meio atônitos sobre o quão exigente há de ser a educação em nosso tempo, ele lançou à platéia a seguinte indagação: “Mas e se depois de fizermos tudo isso por nossos filhos nada der certo? Vou ser bastante trágico: e se algum deles se perder e acabar na prisão, o que fazer?”. A frase era de fato chocante, afinal nenhum dos pais de crianças e adolescentes que ali se encontravam sequer contava com essa possibilidade. E depois prosseguiu:
“Se isso acontecer, nos domingos vamos com toda a boa vontade visitá-los. E se possível levaremos uns doces para os companheiros de cela que não recebem visitas”. E depois concluiu: “Nossos filhos são livres. Não se educa um homem e uma mulher como se programa um robô. A única forma de serem verdadeiramente bons é exercendo bem a sua liberdade. E estou absolutamente convencido de que o amor só é verdadeiro se for incondicional. Não os amamos porque são ‘bonzinhos’, porque correspondem às nossas expectativas ou porque nos agradam, mas porque são nossos filhos e são do jeito que são, não como gostaríamos que fossem. E além disso não é possível  amar de verdade algo ideal, que somente existe em nossa cabeça, mas somente seres humanos em concreto, com suas virtudes e com os seus defeitos. É precisamente desse modo que nossos filhos querem e têm direito de ser amados por nós”.

Nada a acrescentar.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Jornada Mundial da Juventude 2

Encerrou-se ontem a XXVI Jornada Mundial da Juventude. Durante uma semana, milhões de jovens do mundo todo encheram as ruas e praças de Madri com a sua alegria, com o seu amor e com a sua fé. Agora que a festa chegou ao fim, quando todos arrumam suas mochilas para retornarem às suas casas, convém que nos lancemos uma indagação fundamental: o que essa jornada representou e representará para a humanidade?
Esses jovens, durante esses dias, exerceram um direito inalienável de todo ser humano: o de manifestar publicamente a sua fé. Estado laico não é sinônimo de ateísmo oficial. Tampouco a laicidade do Estado impõe que a fé seja relegada a um âmbito estritamente privado. Com efeito, se todos podem reunir-se para fins pacíficos em locais abertos ao público, independentemente de autorização, por certo que o podem fazer para celebrar a manifestar a fé.
Vivemos num mundo conturbado. Ao mesmo tempo que de Madri nos sopram ares de uma juventude alegre e pacífica, da Inglaterra nos chegam imagens de baderna e destruição. É inegável que vemos hoje uma Europa depauperada e decadente, mas é preciso reconhecer que a crise maior por que passa não é econômica, mas de valores. Presas do hedonismo, do consumismo, do materialismo e do relativismo, vemos pessoas que correm de um lado a outro sem um sentido profundo para as suas vidas. E o vazio interior decorre precisamente de se esquecerem do caráter transcendente que marca a natureza humana e que nos move a abrirmo-nos aos demais, projetando as nossas vidas para muito além dessa fugaz e passageira realidade.
Muito se fala e se prega sobre a paz e nosso tempo. No entanto, temos de reconhecer que somente haverá paz no mundo se soubermos fazer com que ela reine primeiro nos corações de cada homem e de cada mulher. Com efeito, a paz dos tratados e acordos internacionais, no mais das vezes construída sobre ajustes de interesses em conflito, ainda que importante, é frágil e não dura muito se não for acompanhada de uma mudança interior das pessoas que hão de zelar por ela.
A Jornada Mundial da Juventude se realizou sob duras críticas: “Onde já se viu gastar milhões de euros num evento desses, em meio a uma dura crise econômica que assola a Espanha e a Europa!”, questionam seus opositores. Tais críticos não enxergam, ou não querem enxergar, que os recursos vieram em grande parte dos próprios participantes, que muitas vezes com sacrifício pessoal deixaram de gastar em roupas, festas etc. para estar ali. Além disso, num país em que o turismo representa parte considerável da receita, tal evento implica uma importante fonte de recursos a mitigar os efeitos da recessão econômica.
Aliás, quanto a essa crítica, permita-me o leitor abrir um parêntesis para deixar uma mensagem aos cristãos: esse argumento é velho. Lembram-se de quando uma mulher quebrou um vaso de nardo puro e de grande preço e ungiu os pés do Mestre? O traidor, cheio de inveja, disse: “Por que não se vendeu este bálsamo por trezentos denários e não se deu aos pobres?”. Mas ele não dizia isso porque se preocupava com os pobres, mas “porque era ladrão e, tendo a bolsa, furtava o que nela se lançavam”. Caros jovens, não se preocupem, fiquem tranquilos e em paz, pois fizeram uma grande coisa por Ele.

Em Madri reluziu ontem uma chama. Esses milhões de jovens que abarrotavam o aeródromo Quatro Ventos retornarão aos quatro cantos do mundo e ali em seus colégios, em suas Universidades e em suas famílias serão sal e luz, iluminando com a sua fé os caminhos de muitos que perambulam numa existência vazia e sem sentido. E darão sabor às realidades terrenas onde intervirão. Nelas ressurgirá a esperança de um mundo melhor. Brilharão como um sinal de que Deus existe e está em nosso meio. E então com a força do amor saberão reconstruir o que estava perdido, a começar pela alegria em nossos corações.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Ser pai

Ontem foi dia dos pais. Num mundo em constante mudança talvez nos perguntemos o que é ser pai hoje. Com efeito, numa sociedade globalizada, com a utilização cada vez maior da informática na comunicação entre as pessoas, o que permite criar uma gama de relacionamentos imensa, ainda que quase sempre superficiais, pode-se dizer que a família e, em especial a paternidade, terá a sua importância diminuída na formação dos seres humanos?
Enquanto me faço essa indagação vêm-me à memória um acontecimento da minha infância. Às vésperas do primeiro dia de aula, pedi ao meu pai que me comprasse uma mochila. Ele saiu no início da tarde a um compromisso numa cidade vizinha. Ao final do dia, quando retornou, fui correndo ansioso ao seu encontro e, sem rodeios, perguntei-lhe sobre a minha encomenda. Ele fingiu por alguns minutos ter se esquecido, porém, logo em seguida, deu-me um forte abraço com o embrulho nas mãos enquanto me dizia: “claro que trouxe a sua mochila! Como poderia me esquecer desse dia tão importante?!”.
Esse acontecimento ficou gravado de forma indelével na memória porque o pequeno gesto me fez sentir que sou verdadeiramente importante para ele. Há alguns anos ganhou notoriedade uma série de comerciais de um medicamento veiculados na TV. Todos terminavam com a mesma frase: “não basta ser pai, tem que participar”. E depois seguia um simpático anúncio do produto. De fato, temos de demonstrar que nos importamos com eles. Mais ainda, que enquanto vivermos não desistiremos jamais do propósito de orientá-los nessa busca pela verdadeira felicidade a que tanto anseiam, ainda que não digam.
Mas um grande desafio que enfrentamos no mundo atual é continuar a exercer o protagonismo na formação dos nossos filhos. É inegável que o mundo mudou muito. Nossos filhos têm inúmeras e variadas oportunidades de se relacionarem com outras pessoas. Com frequência buscarão nelas modelos que os inspiram, diminuindo a influência do pai como exemplo a ser imitado. No entanto, essa realidade não nos autoriza a “lavarmos as mãos” ou simplesmente nos curvarmos diante de uma situação que aparentemente refoge ao nosso controle. É necessário descobrirmos, com criatividade, espírito de observação e tenacidade o que é importante para os nossos filhos, o que eles gostam e quais são os valores que se cultivam no seu círculo de amizades.
Ser pai, hoje, é saber espremer o tempo, ser generoso em sacrificar os gostos e preferências pessoais para estar com os filhos neste mundo bem real, ainda que por vezes também estreitamos os laços e dizemos que os amamos através de uma webcam ou descontraidamente em um bate-papo virtual.
Uma cena bem interessante do recente lançamento Smurfs – O Filme, reproduz o diálogo entre Neil Patrick Harris, que interpreta o rapaz que hospeda os bichinhos, e o Papai Smurf. Preocupado com a vinda do primeiro filho e a possibilidade de perder o emprego, Neil pergunta se o boneco animado não sente o peso da responsabilidade de ter outras vidas que dependem dele. Então o Papai Smurf aponta para o peito do ator e lhe diz que no momento certo, se ele ouvir a voz do coração, saberá o que fazer.

A cena é mesmo comovente. De fato, qual é o pai que nunca sentiu o peso da responsabilidade? Mais ainda, quem nunca sentiu que a missão que nos está confiada supera em muito às nossas forças, os nossos talentos? Mas apesar disso, também podemos constatar que no momento certo sempre encontramos os meios para enfrentar qualquer situação, por pior que pareça. É que a paternidade traz consigo uma força que não sabemos de onde vem. Ou melhor, sabemos, ainda que muitas vezes tardamos em reconhecer. Aquela criaturinha que um dia tomamos no colo na maternidade anseia muito por ter um pai de verdade nesta vida. Mas nós somente saberemos desempenhar tão sublime missão se reconhecermos que todos nós temos também um Pai que sempre vela por nós, com eterno e infinito amor.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

O século da solidão

Os dados do Censo Demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apontam um número crescente de pessoas morando sozinhas. Os brasileiros solitários já somam 6,9 milhões. Hoje os domicílios com apenas um morador já são 12,2% do total, ante 10,7% das residências com cinco pessoas. Em 1960, a média de moradores por domicílio era de 5,3 pessoas. Cinquenta anos depois, caiu para 3,3 (Fonte: O Estado de São Paulo, 24/07/2011).
Os números trazem um sinal de alerta. O fato de uma pessoa residir sozinha não é em si algo ruim. O que pode se revelar preocupante, porém, são as causas desse fenômeno.
O que dá sentido a uma vida é a capacidade de se doar. Amar e sentir-se amado é a necessidade mais fundamental de todo ser humano, que toca em sua natureza mais íntima. E esse amar e ser amado manifesta-se primeiro e primordialmente no seio de uma família.
Nesse sentido, dentre esses milhões de solitários, é possível que se encontre um contingente considerável de homens e mulheres viúvos, que tiveram filhos, que os formaram com sacrifício e dedicação, mas que agora deixaram a casa dos pais para seguir as suas vidas, muitos formando novas famílias.
Mas haverá nesses dados, infelizmente, um grande número de homens e mulheres que vivem sós porque não quiseram ou não souberam se doar de verdade. “Quero ter o meu espaço”, “a minha liberdade”, “as minhas coisas”... eu, eu, eu. Talvez possamos ouvir por entre as suas paredes vazias o triste desabafo do saudoso Renato Russo: “já que você não está aqui o que posso fazer é cuidar de mim...”. Acontece que ninguém é feliz vivendo para cuidar de si.
Creio que há, também, outro grande número de solitários que não aparecem naqueles dados estatísticos. Refiro-me aos pais, mães e filhos que vivem sob o mesmo teto, mas como ilhas. Vivem, mas não convivem. Coabitam, mas não se relacionam. Conversam, mas não se ouvem. Olham, mas não se enxergam. Cada vez mais em nossos lares se valoriza o quarto, com uma TV e um computador para cada um, ou seja, como um pequeno mundo para se isolar. A sala de jantar, onde se poderiam construir deliciosos momentos de convivência, é substituída por um pequeno espaço dentro da cozinha, propício para um monótono e silencioso fast food. É triste constatar, mas é isso um autêntico laboratório de solitários.
É necessário e é urgente que os pais resgatem o quanto antes a alegria do convívio familiar. Não é bom para a família nem para a educação dos filhos que se tenha TV e computador no quarto. E os pais devem ser os primeiros a renunciar a essas comodidades em benefício de um saudável relacionamento com os filhos. Além disso, os nossos filhos precisam aprender desde muito cedo a se sacrificar pelos demais. Trata-se de prestar serviços e fazer companhia ao irmão doente, de ajudar nas tarefas do lar, ainda que as condições econômicas permitam ter trabalhadores domésticos. Enfim, devem aprender com o exemplo dos pais que não há maior alegria que poder servir, a começar pelos da nossa casa.

Gostaria de terminar com o relato da vida do Sr. Francisco: Viúvo há quatro anos, teve seis filhos e quatorze netos. Aos seus 82 anos, não se dá o direito de não fazer nada, apesar de sua merecida aposentadoria. Dedica-se a administrar uma associação que cuida de crianças carentes. A hora mais melancólica é quando chega à casa ao final do dia. Parece que o barulho das crianças correndo de um lado a outro ainda ecoam naquelas paredes. Vem então à memória repleta de saudade a esposa dedicada que o aguardava com a mesa posta. Mas isso tudo não mais lhe arranca lágrimas. Toma um bom livro e entre as suas páginas experimenta a paz de ter se doado à amada até o último momento. Além disso, contempla o resultado maravilhoso do trabalho dela e dele nos filhos e netos, que, apesar nos inúmeros problemas, estampam um caráter bem formado num lar luminoso e alegre. Abandona então o livro e sua vista salta até as estrelas na janela, enquanto balbucia de si para si: “Vale a pena, vale a pena!”.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Rebeldias na Adolescência

Muitos de nós, pais, aguardamos com apreensão a chegada da adolescência em nossos filhos. E, quando chega, notamos que não era para menos. Com efeito, as suas rebeldias e espírito contestador parecem que vão nos enlouquecer. Mas se aprendermos a olhá-los com outros olhos o relacionamento entre pais e filhos pode ser muito saudável e enriquecedor, tanto para os pais como para os filhos.
Um primeiro ponto que devemos considerar é que não há adolescência, mas adolescentes. Ou seja, ainda que possamos encontrar algumas características comuns, não podemos nos esquecer de que cada ser humano é único. Assim, é muito importante evitar todo tipo de comparação do tipo: “por que você não faz igual o seu irmão? Veja como está o guarda-roupa dele e depois olha o seu!”. Ou ainda: “A sua prima é uma excelente aluna. Agora veja as suas notas! Por que você não faz igual a ela?”. Essas frases, além de não produzirem nenhum efeito pedagógico, podem até fomentar a inveja e um mau espírito de competição. Nossos filhos não têm de ser igual a ninguém. Ao contrário, devem ser eles mesmos, mas se esforçar para dar o máximo de si em tudo o que fizerem. E para isso contam com a nossa ajuda.
É interessante notar que os adolescentes têm uma enorme necessidade de carinho, ainda que externamente demonstrem o contrário. É certo que fogem dos beijos e abraços da mãe, especialmente os rapazes, como o gato da água. No entanto, eles esperam que lhes mostremos que os amamos de verdade, seja em detalhes de atenção, seja sabendo encontrar um tempo para estar com eles, seja ainda surpreendendo-os com algo que lhes agrada.
Outra dificuldade que encontramos é como manter um diálogo de qualidade no qual surjam oportunidades de formá-los. Com efeito, aquela criança ativa e brincalhona se converteu agora num ser incompreensível. Se o deixarmos fica até de madrugada na internet, em jogos e conversas virtuais com os amigos. Depois, durante o dia, arrasta-se sonolento pela casa. Por isso é muito importante fomentar nessa idade a virtude da fortaleza. Ainda que estejam de férias, é saudável ajuda-los estabelecer um horário, nisso incluído o momento de dormir, de acordar, de praticar um esporte, limitando o tempo que ficarão no computador, na TV e no videogame. Não se trata de impor isso a eles. Aliás, se há uma coisa que eles odeiam são nossas imposições. Mas é conveniente que lhes mostremos os benefícios que podem ter em organizar as suas vidas e ajuda-los nisso. E depois, que sejamos exigentes em fazê-los cumprir. Mas com um sentido positivo, sem brusquidões nem nos perdemos em eternas lamentações: “eu já te falei mil vezes!”.
Nessa fase eles passam horas a conversar com os amigos numa linguagem que quase não entendemos. Com os pais, porém, parecem só saber pronunciar monossílabos. Às nossas intermináveis perguntas, respondem: “sim, não, hã rã!”. Apesar dessa aparente dificuldade, é possível mantermos um diálogo. Basta que estejamos atentos para o que eles nos falam. Quando soltam algo, por mais insignificante que pareça, devemos perceber que se trata de uma porta que se abre em seu coração por onde se pode iniciar uma conversa. A partir daí, com sabedoria e sentido de oportunidade, podemos conduzir o assunto para algo que nos pareça importante para a sua formação.

Na edição do dia * o Correio Popular trouxe uma reportagem sobre as opções de cicloturismo, um ramo que tem crescido bastante no Brasil e no mundo. Aproveitei a dica e fiz novamente uma viagem pelo Caminho da Fé. Também nos acompanharam alguns amigos, meus e deles. A experiência é fantástica. Há os riscos normais dessa atividade. Mas enquanto pedalam e empurram a bicicleta em uma subida e outra, vemo-los se superarem na busca de um objetivo. Além disso, nesse ambiente bucólico, podemos observá-los melhor e com mais atenção. E é surpreendente notar como esses “rebeldes adolescentes” são capazes de atos de solidariedade com os amigos e de esforço que lhes forjará uma fortaleza necessária em muitas fazes de suas vidas. E a propósito, ninguém sentiu a menor falta da internet e de nada do mundo virtual. O único que fugiu a essa regra foi o pai deles... para escrever e enviar esse artigo.