segunda-feira, 27 de junho de 2016

Vocação para a política

Há poucos dias, enquanto conversava descontraidamente com a minha filha, ainda criança, fiz aquela pergunta tão costumeira: “o que você quer ser quando crescer?”. A resposta foi cheia de dúvidas: escritora, juíza... ou médica talvez. E então insisti no assunto: “e política?”. A isso ela respondeu prontamente: “de jeito nenhum!”. “Mas e se você tiver vocação para isso?” insisti eu. Após pedir explicações sobre o que é uma vocação, ela respondeu seguramente: “Vocação para política?! Eu?! Não. Deus é bom. Ele não faria isso comigo”, disse ela pondo um ponto final nessa questão.
É engraçado, mas ao mesmo tempo preocupante, o desinteresse das novas gerações pela política. As notícias de sujeira e corrupção, aliadas às críticas azedas e frequentes dos pais, professores e adultos em geral, faz com que nossos filhos olhem para os políticos com desconfiança. Pior ainda, há em muitos a certeza de que é absolutamente impossível entrar nesse meio sem se enlamear numa corrupção generalizada e impossível de ser combatida.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

Onde estão nossos heróis?


Dentre as notícias da semana passada teve destaque a prisão de um agente da Polícia Federal, que havia conquistado a fama por ter cumprido mandados de prisão de personagens importantes. É bem verdade que o “Japonês da Federal” não ganhou notoriedade por si mesmo, mas pelo fato de protagonizar algumas cenas que não imaginávamos possíveis. Com efeito, nascemos e crescemos ouvindo dizer que “neste País, só pobre vai para a cadeia” e, no entanto, nos últimos tempos, isso tem sido desmentido por inúmeros acontecimentos. E em grande parte deles o “Japa” estava lá exercendo o papel de herói nacional.
Agora se evidencia que o nosso herói também estava no alvo da Justiça. E isso em meio a um mar de lama em que se descobre estarem imersos muitos políticos e empresários. Diante disso, uma reação muito provável é o desalento. Serão, de verdade, todos os nossos heróis ... Macunaímas?

terça-feira, 7 de junho de 2016

Estupro e Pudor

O Brasil e o mundo ficaram chocados com o crime hediondo de violência sexual contra uma jovem no Rio de Janeiro. A notícia gerou forte reação, cobrando das autoridades a apuração e a punição desses bandidos. De fato, repugna e causa imensa indignação pensar que essa espécie de “homens-demônios”, capazes de cometer tal agressão, possam escapar impunes. Mas será que basta uma maior fiscalização e punição exemplar para que se restaure em sua plenitude o respeito à imensa dignidade da mulher?

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Vai ter Golpe?

Desde que deflagrado o processo de Impeachment da Presidente Dilma, os movimentos fiéis à sua permanência no cargo cunharam um slogan – “não vai ter golpe” – que tem se repetido como um símbolo motivador da luta pela sua manutenção no poder. 
Essa frase, infelizmente, não é mero resultado ou síntese das convicções que tenham se formado espontaneamente naqueles que apoiam a Presidente. Trata-se, bem ao contrário, de uma engenhosa e bem articulada campanha de manipulação que se vale de técnica bastante eficaz de convencimento. Aliás, essa tem sido, infelizmente, a tônica das campanhas eleitorais de muitos partidos, tanto da situação como da oposição.


É preciso, portanto, que entendamos um pouco sobre como funciona a manipulação. Isso se mostra especialmente necessário se considerarmos que um pilar da democracia é a soberania popular. E essa se expressa na prevalência da vontade do povo. Porém, essa vontade há de nascer de uma livre reflexão racional, e não que simplesmente aflorar da emoção causada por técnicas rebuscadas e eficazes de convencimento.

segunda-feira, 2 de maio de 2016

A alegria de ser Mãe

No próximo domingo, dia 8 de maio, comemoramos o dia das mães. É, portanto, uma interessante oportunidade para considerarmos o que é ser mãe neste início de milênio.

Em sua recém lançada exortação apostólica Amoris Lætitia, o Papa Francisco aborda a situação da família na atualidade: “O sentimento de ser órfãos, que hoje experimentam muitas crianças e jovens, é mais profundo do que pensamos. Hoje reconhecemos como plenamente legítimo, e até desejável, que as mulheres queiram estudar, trabalhar, desenvolver as suas capacidades e ter objetivos pessoais. Mas, ao mesmo tempo, não podemos ignorar a necessidade que as crianças têm da presença materna, especialmente nos primeiros meses de vida. A realidade é que «a mulher apresenta-se diante do homem como mãe, sujeito da nova vida humana, que nela é concebida e se desenvolve, e dela nasce para o mundo». O enfraquecimento da presença materna, com as suas qualidades femininas, é um risco grave para a nossa terra. Aprecio o feminismo, quando não pretende a uniformidade nem a negação da maternidade. Com efeito, a grandeza das mulheres implica todos os direitos decorrentes da sua dignidade humana inalienável, mas também do seu génio feminino, indispensável para a sociedade. As suas capacidades especificamente femininas – em particular a maternidade – conferem-lhe também deveres, já que o seu ser mulher implica também uma missão peculiar nesta terra, que a sociedade deve proteger e preservar para bem de todos”.