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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O ético e o “normal”

Em uma reportagem publicada pela Folha de S. Paulo, o Juiz Federal Flávio Roberto de Souza, acusado de ser flagrado utilizando o veículo cuja apreensão foi por ele próprio determinada, teria dito que a utilização de bens apreendidos pela Justiça seria uma “prática absolutamente normal”, adotada por “vários juízes”.
Não é preciso dizer que tal afirmação não é verdadeira. Utilizar em proveito próprio bens apreendidos por decisão judicial é uma conduta ilegal e absolutamente inaceitável, tanto mais se praticada por um magistrado. Mas não é esse o enfoque que pretendemos dar ao caso. Como sempre, de fatos desagradáveis e ruins podemos extrair boas lições. Nesse intento, penso que podemos nos centrar num aspecto da questão, que é considerar “normal” o que é antiético e, por consequência, agir de determinado modo com a justificativa de que outros o façam.