terça-feira, 10 de setembro de 2019

Educação domiciliar


Tem crescido e ganhado notoriedade no Brasil o homeschooling ou educação domiciliar. Antes de abordar o tema, analisei os argumentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal no processo em que essa questão foi ali apreciada. No entanto, não pretendemos analisar a questão sob um enfoque jurídico. Também não traremos uma lista de prós e contras. Antes disso, gostaríamos de trazer à reflexão os aspectos morais que devem nortear a decisão dos pais na escolha do modelo educativo.
A nossa Constituição Federal, em seu artigo 205, assegura que a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, o que deve ser promovido e incentivado com a colaboração da sociedade. Porém, antes mesmo que isso estivesse previsto em qualquer norma jurídica, os filhos têm um direito natural de ser educados por seus pais. E esses, por sua vez, têm também o direito e o grave dever de cuidar da educação da prole. Com efeito, o ato de gerar uma nova vida é indissociável da missão de formar esse ser de modo a atingir o desenvolvimento da sua personalidade.
Mais ainda. Se mãe e pai cooperam com Deus na nobre e sublime missão de gerar a vida, igualmente lhes é confiada a responsabilidade de guiar essa filha e esse filho nos caminhos deste mundo. Daí que esse direito inerente à maternidade e à paternidade é irrenunciável e, como dito, antecede a própria existência do Estado e do direito que desse emana.
Portanto, a mãe e o pai devem exercer um protagonismo na educação. É evidente que não estão acima da Lei. Ademais, vivemos numa democracia na qual felizmente são muito raras as situações em que o cumprimento das normas vigentes possa contrastar com a nossa consciência. De qualquer modo, porém, é fundamental seguir sempre essa luz interior nas nossas escolhas e decisões.
Assentada essa premissa, a escolha do modelo educativo deve buscar sempre o que vislumbramos como o melhor para os filhos. Há famílias em que os pais não dispõem de tempo, de conhecimento suficiente ou mesmo de disposição para se dedicarem à educação domiciliar. E nesse caso – que, aliás, é a imensa maioria – deverão procurar, na medida das suas possibilidades, a instituição de ensino que cultue valores semelhantes aos seus. E se não houver, cuidarão de amenizar os efeitos negativos que alguns temas tratados nos colégios possam ter na vida dos filhos. De qualquer modo, não poderão delegar integralmente à escola a formação dos filhos.
Mas há também as famílias em que se dispõe de tempo, aptidão e disposição para se dedicar à educação também nos assuntos que comumente são confiados à escola. Mais ainda, por vezes essas estão inseridas num contexto – local de residência, condição econômica, instituições de ensino disponíveis etc. – em que nos colégios disponíveis se encontraria uma formação muito destoante dos valores nos quais acreditam. Assim, se a mãe e o pai, após estudar com profundidade o assunto, buscarem um aconselhamento adequado e chegarem à conclusão de a educação familiar é a melhor para a sua situação, penso que então terão o grave dever de seguir as suas consciências.
Há uma passagem no Livro dos Atos dos Apóstolos em que Pedro e João foram proibidos pelas autoridades de ensinassem em nome de Jesus, ao que eles responderam: “Julgai-o vós mesmos se é justo diante de Deus obedecermos a vós mais do que a Deus”. Esse trecho da Sagrada Escritura esclarece uma questão moral de importância vital. Se a consciência é a dimensão do nosso ser na qual nos vemos a sós com Deus, haveremos de segui-la sempre. E se essa nos aponta que, dadas as condições e as circunstâncias em que nos encontramos, que devemos cuidar pessoalmente da educação integral dos nossos filhos, não há autoridade neste mundo que possa legitimamente nos impedir de fazê-lo.

terça-feira, 13 de agosto de 2019

A missão do pai


Certa vez alguém me formulou a seguinte pergunta: “você ajuda a sua esposa em casa?”. Refleti um pouco sobre o assunto e respondi decididamente: “Não. Não ajudo”. Diante da perplexidade que a resposta poderia causar, senti-me na obrigação de explicá-la melhor.
O verbo ajudar, em grande parte das situações em que é utilizado, denota ausência de responsabilidade direta sobre o assunto; uma atitude de auxiliar, quase que um favor que se presta. Mas essa não é – não deveria ser – a postura do pai em casa.
Muitos pais se gabam de que ajudam a lavar a louça, ajudam – quando lhes é solicitado – na lição de casa com os filhos, ajudam a fazer compras no supermercado. Enfim, são bons ajudantes... Acontece que a administração da família exige uma parceria, uma corresponsabilidade em todos os assuntos relacionados com a educação dos filhos, com o cuidado da casa e, principalmente, com os detalhes de carinho e afeto com a esposa.
Não há aqui ajudantes. Há parceiros igualmente responsáveis em levar esse empreendimento maravilhoso adiante. Isso não quer dizer que se deva manter igual dedicação de tempo a essas atividades. É possível que, dadas as circunstâncias de cada família, ora a mãe, ora o pai disponha de mais tempo para se dedicar aos filhos e à casa. Mas mesmo nessas situações é necessário ressaltar que a responsabilidade é dos dois. Isso implica o esforço para saber como foi o dia dos filhos, como está o seu rendimento escolar. Trata-se, também, de se interessar pelos assuntos da casa e, em especial, sobre como foi o dia da esposa.
Há famílias em que a mãe opta, ao menos em algum período da sua vida, por se dedicar exclusivamente aos filhos e aos cuidados do lar. Penso que essa opção deveria ser mais valorizada e respeitada. Todos os trabalhos honestos são igualmente dignos. Não há tarefas mais nobres que as outras. O melhor trabalho, portanto, é aquele que se faz com mais amor. Mas se tivesse de escolher dentre as inúmeras profissões uma mais sublime, com certeza escolheria a de mãe. É que desse trabalho abnegado depende que se fomente nos filhos as virtudes das quais dependem o próprio futuro da nossa sociedade.
Mas para que a mãe desempenhe essa nobre missão, é necessário que o pai também cumpra o seu papel. E esse não é um mero coadjuvante. O pai é chamado a desempenhar um protagonismo na educação dos filhos e, também, zelando para que em casa se respire esse ar de serenidade e alegria que emana de um lar luminoso e alegre.
O dia de um pai é como um jogo de futebol em que sempre há prorrogação. Pela manhã inicia o primeiro tempo. Levantar, filhos para a escola, trabalho etc. Após uma pausa para o almoço, inicia-se o segundo tempo: mais trabalho, problemas para resolver, assuntos a tratar... Mas o jogo não termina no final do expediente. De noite, há o terceiro tempo. Esse é o mais importante. Começa agora o esforço para chegar bem humorado a casa, tratar a esposa com carinho, interessar-se pelos assuntos dos filhos. E por mais que tenhamos jogado bem no primeiro e no segundo tempo, é na prorrogação que se decide o jogo. Isso quando não vai para os pênaltis, com uma criança doente de madrugada etc.
Essa é a nobre e sublime missão do pai. Estressante? Cansativa? Sim. Porém, maravilhosa. Que a comemoração do dia dos pais e da semana da família avive em cada um de nós o desejo e a responsabilidade de sermos verdadeiramente pais dos nossos filhos. E, para isso, não nos esqueçamos jamais daquela sem a qual não teríamos chegado à paternidade: a mãe dos nossos filhos.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Como superar uma crise conjugal?


Este curso é um passo a passo em cinco etapas, nas quais aprenderemos a:
✔ Driblar os pensamentos negativos, redirecionando-os a uma atitude proativa, focada no que podemos fazer para mudar a situação.
✔ Refletir sobre a nossa decisão de romper ou manter o casamento e as suas consequências.
✔ Recuperar a capacidade de admirar o outro.
✔ Ganhar intimidade, que é fundamental num relacionamento conjugal saudável.
✔ Dialogar. Vamos conhecer uma ferramenta que nos auxiliará a conversar com eficácia e, com isso, administrar com eficiência a nossa família.

Assista a aula de apresentação:

Como superar uma crise conjugal


Vantagens do curso

O curso oferece dicas simples e práticas. Não se trata de um curso teórico.

A execução de todas as etapas sugeridas exige esforço e determinação. Porém, estamos certos da sua eficácia se ambos estiverem dispostos a empreender juntos esse caminho.

Oferecemos cinco aulas em vídeos, acompanhadas de textos sobre os mesmos temas.

Além disso, sugerimos material complementar, que ajuda a aprofundar nos assuntos abordados.

Temos uma equipe preparada para tirar as suas dúvidas e prestar os esclarecimentos que forem necessários.

Você poderá cancelar a compra em até 15 dias após a aquisição. Com isso, será reembolsado integralmente o valor pago.


Entenda melhor a nossa proposta

Este curso é um passo a passo para superar uma crise no relacionamento conjugal. Faremos isso em CINCO PASSOS:

PRIMEIRA AULAS (Disponível no ato da compra):
MUDAR O FOCO. Precisamos mudar radicalmente a forma como encaramos o problema.

SEGUNDA AULA (Disponível 7 dias após a compra)
Elaborar uma lista de consequências. Vamos propor alguns filmes que nos ajudarão a REFLETIR, quando veremos que o divórcio muitas vezes não é a melhor solução.

TERCEIRA AULA (Disponível 14 dias após a compra)
Recuperar o apreço. Numa grave crise conjugal, o casal entra numa situação inversa à do namoro. Por que? Como podermos reverter isso?

QUARTA AULA (Disponível 21 dias após a compra)
Recuperar a intimidade. O relacionamento começa a se definhar quando a intimidade deixa de ser compartilhada. Como mudar isso?

QUINTA AULA (Disponível 28 dias após a compra)
Reconstruir o diálogo. Como usar essa ferramenta para administrar a família e para crescer no amor conjugal?

O curso é para casais e a sua eficácia depende de que AMBOS PARTICIPEM, ainda que possam assistir as aulas em momentos e locais diferentes.
É sempre possível superar uma crise conjugal. Basta estejam decididos a LUTAR JUNTOS.
A estratégia do curso foi pensada para auxiliar na difícil tarefa de vencer uma crise conjugal. Isso exige que sejam tomadas medidas que precisam ser implementadas aos poucos.
Por isso, a primeira aula será liberada imediatamente após à aquisição.
As demais serão liberadas sempre 7 dias após a liberação da anterior. Isso para que o casal possa fazer a  ação sugerida ao final de cada aula e, somente após isso, dar o passo seguinte.
As aulas ficarão disponíveis por um ano. Nossa proposta é dar uma ferramenta para superarmos esse momento difícil do relacionamento. E, uma vez superada essa fase, as ações para melhorar o seu casamento serão outras. Por isso, cinco a dez semanas será suficiente para se atingir os objetivos propostos.
Estamos certos de que, seguindo esse passo a passo, já terão aprendido a trilhar o caminho de volta à felicidade no seu relacionamento conjugal.

Quero me inscrever: Acesse aqui

domingo, 31 de março de 2019

Intrigas digitais

Dentre as inúmeras transformações que o WhatsApp – e outros aplicativos das chamadas redes sociais – trouxe às nossas vidas, está a possibilidade de se criarem grupos de pessoas, segundo os mais variados critérios e centros de interesses, onde se compartilham fatos, experiências, opiniões, curiosidades etc.
Essa novidade, sem o risco de incorrermos em exagero, pode ser qualificada com uma verdadeira revolução, dado o impacto que trouxe para a vida das pessoas, da sociedade e do próprio Estado. Prova disso está, por exemplo, na mudança significativa nas campanhas eleitorais. Com efeito, quem viveu no tempo em que a divulgação dos candidatos se dava com a afixação de panfletos nos postes de iluminação, ao observar o que ocorre nas últimas eleições, aqui e no mundo, verá que a mudança foi radical.
Como quase toda mudança, há aspectos positivos e negativos. A velocidade com que se difunde a informação pode ser muito interessante e trazer inúmeros benefícios. Porém, com a mesma rapidez também se difunde a mentira, agora intitulada como Fake News, a calúnia, a maledicência e, também – e que nos interessa mais diretamente agora – a discórdia.
Quando pessoas se unem segundo certos critérios, por exemplo, moradores de um condomínio, colegas de trabalho, torcedores de um time de futebol, adeptos de certa ideologia etc., em geral, buscam coisas que edifiquem a todos, tais como compartilhar conhecimentos, interesses, ou mesmo a luta por certas questões. Porém, com grande frequência, aquilo que reuniu pessoas movidas por interesses comuns, resvala para a crítica aos que pensam ou agem diferentemente, ou possuem crenças, posições ou opiniões divergentes. Em suma, um grupo que era para algo se transforma em um grupo contra algo, contra pessoas ou contra outros grupos.
Esse fenômeno, em sua essência, não é uma exclusividade dos tempos atuais. A natureza social do ser humano sempre fez com que pessoas se reunissem para as mais diversas finalidades. Por consequência, as associações existem há séculos. E nelas, com grande frequência, uma reunião que seria para buscar algo se deturpa para atacar pessoas por motivos de raça, religião etc. Aliás, muitas entidades secretas já nasciam com um propósito de lutar contra outros grupos pelos mais diversos motivos.
Mas o que há de novidade na situação atual é a velocidade com que as coisas acontecem. Assim, aquilo que no passado exigia reflexão, tenacidade e perseverança para se concretizar, hoje acontece em segundos. Com isso, atitudes impensadas têm consequências desastrosas e, muitas vezes, irreversíveis. Uma informação distorcida ou falsa se alastra rapidamente, de modo que é quase impossível contê-la ou mesmo atenuar as suas consequências nefastas.
Nesse contexto, uma qualidade fundamental da mulher e do homem do nosso tempo é – ou deveria ser – a prudência. Essa, ao contrário do que muitos pensam, não é a marca da pessoa indecisa, quase sempre inativa, que deixa de agir por medo de errar. Prudente é a pessoa que sabe em cada situação procurar o verdadeiro bem e escolher os meios adequados para alcançá-lo. Diz-se dela que é “auriga virtutum” a condutora das virtudes, pois orienta a tudo o mais, dando a cada situação o seu peso e a sua medida.
Convém, portanto, refletir acerca das consequências que pode trazer um simples toque numa tecla “enviar”, ou “send” (ou o seu símbolo equivalente). Com efeito, tal como o gatilho de uma arma que se trazia na cintura décadas ou séculos atrás, o seu acionamento pode ter efeitos terríveis na vida das pessoas ou das instituições. De igual modo, é obrigação grave de todo educador, em especial os pais e professores, formar o sentido de responsabilidade nos jovens, que cada vez mais andam armados por todos os lados, portando esse equipamento de elevado poder lesivo chamado smartphone.

quarta-feira, 20 de março de 2019

A mídia e o compromisso com a verdade


Proliferou-se na mídia e nas redes sociais a notícia de que uma Juíza de Campinas, numa sentença criminal, teria se valido de expressões preconceituosas. Trata-se de um processo em que o réu foi acusado de latrocínio. A defesa alegou nulidade do reconhecimento do réu feito pelas testemunhas. É que a Lei exige que a pessoa a ser reconhecida deve ser colocada ao lado de outras que com ela tiverem alguma semelhança. E isso não foi feito.
Enfrentando a questão, dentre outros argumentos para a condenação, a Magistrada disse: “Vale anotar que o réu não possui o estereótipo padrão de bandido, possui pele, olhos e cabelos claros, não estando sujeito a ser facilmente confundido”.
Analisada a expressão no contexto em que foi utilizada, não há nada de preconceituosa. Trata-se de um crime grave em que uma pessoa foi morta numa tentativa de roubo. A defesa buscou a absolvição com ênfase na nulidade do processo, por não se colocar ao lado do réu outras pessoas parecidas com ele no ato de reconhecimento. Assim, o argumento foi lançado na sentença de modo a reforçar o valor probatório do depoimento das testemunhas, que apontaram o réu como o autor dos disparos que culminou na morte da vítima.
Vejamos, porém, como os fatos foram noticiados. Revista Veja: “Juíza escreve na sentença que homem não parecia bandido por ser branco”. Na Globo News, em matéria levada ao ar recentemente, uma jornalista convidada a comentar o caso, disse textualmente: “Como eu tenho esse cabelo claro e tenho olho azul, eu posso matar todo mundo, ou posso fazer qualquer coisa, sair roubando as pessoas porque eu não tenho estereótipo aí de assassino, né?!”. E, mais adiante, afirma ela: “se a pessoa é clarinha, de olhinho claro, quem sabe ela tem até uma pena mais camarada, né?”.
Acontece que o réu do processo foi condenado a 30 anos de reclusão! E o argumento foi utilizado apenas para reforçar o valor probatório dos testemunhos, que apontavam o réu como autor dos disparos.
Talvez seja ainda uma triste realidade que em nosso País predomina o “PPP” entre os acusados e condenados. Bem por isso que é notório que os traços físicos do réu em questão destoam da imensa maioria da população carcerária brasileira. No entanto, em momento algum a juíza manifestou qualquer juízo de valor acerca dessa questão.
É célebre o adágio de que “o texto fora do contexto vira pretexto”. Se trouxermos o mesmo para ação de certos segmentos da nossa imprensa, é possível afirmar que o texto fora do contexto, vira pretexto para a injúria, para a difamação e para a maledicência. Com o devido respeito aos profissionais que agiram assim, é precisamente isso que se fez no caso em questão. Pinçaram uma frase da sentença, passando a denegrir injustamente a imagem da magistrada. Tanto que em muitas das matérias publicadas, dava-se a impressão que o argumento foi utilizado para absolver o réu!
Vivemos num momento em que tudo o que possa representar um descrédito ao Poder Judiciário ganha força na mídia com uma virulência nunca vista. Penso que deveríamos refletir com coragem sobre o motivo disso. Reportagens como aquelas acima mencionadas têm como origem apenas uma análise superficial do fato noticiado?
É curioso notar que tal campanha surge precisamente quando o avanço de operações policiais, às quais se seguem denúncias pelo Ministério Público e condenações pelo Poder Judiciário, têm desvendado organizações criminosas e levado ao cárcere muitos réus de pele, olhos e cabelos claros e, além disso, ricos e poderosos. Seriam tais ataques neste momento simples e mera coincidência?